Pirituba vem do tupi, mas não existe uma tradução só. A leitura mais repetida divide a palavra em piri, uma planta de brejo (junco ou taboa), e tuba ou tyba, que quer dizer abundância. Daí as versões “muita taboa”, “ajuntamento de juncos” e “vegetação de brejo”, que a Subprefeitura e a Câmara Municipal usam.
Também há duas versões para quem deu o nome. Uma diz que foram os técnicos ingleses da São Paulo Railway, ao batizar a estação de 1885 por causa da vegetação do lugar. A outra liga o nome a uma lagoa e a uma fazenda da região. Nenhum documento anterior a 1885 que a gente tenha achado resolve a dúvida. O que se sabe com certeza é que o ribeirão que corta o bairro também se chama Pirituba.
A paisagem que deu o nome era real. O professor Vladimir Bartalini, da FAU-USP, estudou os córregos escondidos da região e mostrou que o mapa Sara Brasil, de 1930, chama a atenção pela quantidade de lagoas e brejos. Uma parte do estudo se chama, não por acaso, “Leito de juncos”.
Quase tudo sumiu. Abaixo da estação, o ribeirão Pirituba está hoje tubulado e enterrado: uma planta da Prefeitura de 1983 mostra a galeria construída sob a Rua Padre Nogueira Lopes no lugar de um canal antigo. Os moradores mais velhos lembram que no córrego tinha peixinho, e a faixa verde que sobrou em cima do canal virou, nas palavras de um deles, “o nosso parque”.
Outra lagoa sumida é a do Parque Rodrigo de Gásperi, que todo mundo ainda chama de Parque da Lagoa. Ali havia uma lagoa e um córrego onde se pescava e nadava. A lagoa foi aterrada, o córrego canalizado, e o terreno recebeu circo e feira antes de virar parque.
Os nomes vizinhos também têm história. Jaraguá costuma ser traduzido como “senhor do vale”, tanto que o Parque Senhor do Vale ganhou esse nome num plebiscito, como tradução de Jaraguá. E Taipas, segundo os próprios moradores, lembraria as casas de taipa e uma parada de boiadas que seguiam para o matadouro da Vila Anastácio. A Câmara registra isso como lembrança do bairro, não como fato documentado.
