Muito antes de Pirituba existir, o Jaraguá já era conhecido. A resolução municipal que protege o entorno do parque cita a importância arqueológica da área, e o mapa oficial da cidade registra ruínas de mineração de ouro por lá. Qual povo vivia no Jaraguá antes de 1500, porém, nenhum estudo específico que a gente encontrou responde.
A versão mais contada vem de Pedro Taques, o cronista das bandeiras, no século XVIII. Ele escreveu que Afonso Sardinha e o filho mameluco de mesmo nome descobriram “ouro de lavagem” nas serras do Jaraguá e de Jaramimbaba. Só que a historiadora Anicleide Zequini, do Museu Paulista, mostra que o próprio Taques se contradiz, dando ora 1590, ora 1597, e que os cartórios que ele consultou se perderam.
A data de 1580, que aparece em muito site, não tem base documental conhecida. A ideia de que Brás Cubas teria aberto uma lavra no Jaraguá em 1561 também não. O documento mais firme é de 1606: o sertanista Clemente Álvares declarou que procurava ouro havia 14 anos e registrou minas “no Jaraguá, Parnayba e Ybituruna” para garantir seus direitos.
No parque existe um casarão que os guias chamam de Casa de Afonso Sardinha, com um tanque onde escravizados lavariam o ouro. É uma boa história para contar na trilha, mas não achamos laudo que date o casarão ou confirme que ele foi de Sardinha. Por enquanto, fica como tradição, não como fato.
A região também ficava no caminho. A Fazenda Anastácio, formada no fim do século XVIII, era servida pela estrada que ligava São Paulo a Goiás. Esse caminho virou a Estrada de Campinas e, muito depois, a Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, por onde ainda passa boa parte do bairro.
Sobre quilombos, a resposta honesta é que não há registro documental de quilombo em Pirituba ou no Jaraguá. Circula a hipótese de que a sede da Fazenda Anastácio teria sido “o primeiro quilombo da capital”, mas quem a publica a apresenta como especulação.
