Grande parte de Pirituba e do Parque São Domingos saiu de uma só propriedade, a Fazenda Anastácio, formada pelo coronel Anastácio de Freitas Trancoso no fim do século XVIII. Entre 1836 e 1840, o missionário norte-americano Daniel Kidder passou por São Paulo e anotou uma coisa que pouca gente imagina: ali se plantava chá. As fazendas do coronel produziam também cereais e café.
O coronel morreu em 1839. Em 1856, os herdeiros venderam a fazenda ao brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar e à mulher dele, Domitila de Castro Canto e Mello, a Marquesa de Santos, que tinha sido amante de D. Pedro I. Sim: a marquesa mais famosa do Império foi dona de terra em Pirituba.
No século XIX havia outras fazendas grandes por aqui, como a do médico Luiz Pereira Barreto e a Fazenda Jaraguá. Segundo a Subprefeitura, foram esses fazendeiros que conseguiram a estação de trem, para mandar a produção ao porto de Santos.
A grande virada veio em 1917. Os herdeiros do brigadeiro venderam as terras, junto com a Fazenda Capuava, à Companhia Armour do Brasil, um frigorífico norte-americano, que usou a área principalmente para criar gado de corte. Com o avanço da cidade, a Armour foi vendendo pedaços: as terras do futuro Jardim Felicidade e as do Parque São Domingos, loteado a partir de 1950 pela Novo Mundo Investimentos.
Dessa época sobrou o Casarão do Anastácio, que dá para ver das alças da Marginal Tietê com a Anhanguera. A resolução de tombamento conta que ele foi construído na década de 1910 para ser a hospedaria, o “Club House”, do frigorífico, com projeto feito nos Estados Unidos e influência hispânica ou mexicana. Lareiras, lambris e pisos estão protegidos.
O tombamento levou 21 anos, de 1992 a 2013. Mesmo assim o casarão está abandonado desde os anos 1960 e corre risco de desabar; a dona do terreno prometeu restaurá-lo, mas a obra não começou. Se for ver, veja de fora: o prédio não é seguro.
