O núcleo urbano de Pirituba nasceu com a morte do médico e cientista Luiz Pereira Barreto, em 1922. Os herdeiros lotearam a Fazenda Barreto em duas etapas, em 1922 e 1926, e assim apareceu a Vila Pereira Barreto, colada na estação. Depois vieram a Vila Bonilha, a Vila Zatt, a Vila Maria Trindade, a Vila Mirante e o Jardim São José.
A lei estadual que criou o distrito de paz de Pirituba, em 26 de dezembro de 1935, já usava como limites “a chácara do Bonilha e Villa Pereira Barreto”. É a prova de que os dois núcleos existiam naquele ano. Vale uma correção: muita página atribui a criação do distrito a um decreto de 1934 que nem cita Pirituba.
Perto da estação funcionou o Sanatório Pinel, clínica psiquiátrica particular fundada pelo psiquiatra Antônio Carlos Pacheco e Silva, então diretor do Juquery. A maioria das pesquisas fala em 1929; um artigo fala em 1922. Os prontuários estão no Arquivo Público do Estado e mostram, segundo reportagem do Jornal da USP, que entre os internados havia homossexuais e mulheres que fugiam às normas da época.
A presença estrangeira deixou marcas que dá para ver. Em 1929 foi construída a casa de Alec Wellington, superintendente da São Paulo Railway, num terreno de 24 mil metros quadrados. Em 1957 a Sociedade Holandesa comprou o lugar e criou o Clube Holandês, a Casa de Nassau. Em 2016 a casa, o moinho da entrada e toda a vegetação foram tombados. A área agora é do Sesc, que prepara ali uma unidade.
Outro inglês da ferrovia, J. P. Urner, construiu em meados dos anos 1930 o Castelinho de Pirituba, inspirado na arquitetura rural inglesa e nas ideias de William Morris. Tombado em 2014, ele tem uma regra bonita: o terreno em volta só pode receber jardim baixo, para ninguém esconder a casa de quem passa pela Raimundo Pereira de Magalhães.
Na segunda metade do século vieram os loteamentos planejados, como o Jardim Felicidade, aprovado entre 1960 e 1962 com projeto do urbanista Jorge de Macedo Vieira, conhecido pelos bairros-jardins. Já a origem dos nomes Vila Mangalot e Jardim Cidade Pirituba é uma lacuna: se você sabe a história, manda pra gente.
